A sociedade dos culpados

31.10.2017

Sempre que acontecem tragédias, principalmente quando são vitimados policias, somos cobrados sobre posicionamentos do está acontecendo. Mas principalmente, sobre os culpados! Então vamos!

Um dos primeiros é o político que se associa com quadrilhas de narcotraficantes e milícias para conseguir base eleitoral a fim de se eleger? Legitima a bandidagem e cria vínculos e divida que depois é cobrada a bala da população e dos agentes de segurança públicos.

 

Depois temos gestor público municipal que queima bilhões em esquemas escandalosos e se omite covardemente afirmando segurança é função do Estado. Deixando a população, principalmente a mais jovem, ser vitima da bala perdida, achada, ou da morte em vida da falta de perspectivas e estima. Ele, é um dos principais culpados, poderia ser o divisor de águas para o fim desta falsa guerra.

 

A seguir o policial corrupto que se torna sócio do crime e fornece a munição - em todos os sentidos - que retroalimenta a violência no qual ele, algum de seus colegas de corporação, ou até mesmo a sua família podem ser vítimas nos arrastões promovidos por marginais que usam o fuzil que o próprio vendeu? Existe coisa mais vil do que o policial que traí os próprios colegas, mantendo esta corrida armamentista da guerra onde as baixas são somente de um lado? Tem sim, os omissos!

 

Tem também os militantes inoperantes dos movimentos sociais que tem seu currículo um vazio de iniciativas e centenas de debates maniqueístas. Nunca moveram uma palha para desmontar alguma estrutura nefasta, apequenando e infantilizando o debate de uma sociedade com direitos humanos.

 

Não esquecendo dentro deste setor os “ologos” que pregam o radicalismo de esquerda e direita – muitas vezes sem saber exatamente saber o que contextos as palavras e símbolos de fato representam. Por exemplo, que a cor que representa o Direito é o vermelho, que é a cor do sangue e a cor da vida, por isto o anel de bacharel é o rubi. Seu simbolismo representa a segurança e a paz, o sol, o sangue, o amor do direito pela humanidade... tá lá no site do STF! Mas parece que liberdade demais deixou as pessoas burras a ponto de pedir intervenção militar. Mas os mesmo não tem coragem de ir para regiões como a Maré quando estavam controladas pelas Forças Armadas. Não era para ser um pedaço do céu na terra?

 

 

Há! Não deixando de enfatizar os progressistas de esquerda, que juntos com dos reacionários de direita, filosofam nas redes sociais sem nunca terem estado em um órgão público para garantir que o devido processo legal fosse cumprido. Que a Justiça fosse feita. Nunca se dedicaram a propor nenhuma legislação ou fizeram sequer um disque denúncia, mesmo sendo testemunhas de ações criminosas. Na verdade é um parasita social – não uso este termo desde o movimento punk da década de 1980 –, um inóculo, ridículo e covarde cidadão que quer ser o Che Guevara ou Hitler virtual.

 

Ao final temos a grande sociedade que quer a paz, mas consome e promove a violência dos programas policialescos, reproduz as frases prontas de efeito copiadas do General Custer, que “índio bom é índio morto”. Os que querem a liberação das armas e não sabem jogar nem estalinho no chão. Imaginam-se o Rambo, mas vão vestidos de palhaço Bozo para o caixão quando for morto por outro cidadão que comungava com ele o direito ao uso da arma, mas não do time de futebol, ou do cruzamento com sinal de transito com defeito.

 

Ou seja, tem culpa para todo mundo, inclusive para este que escreve. Afinal, sou parte da sociedade dos heróis de vídeo game.

 

- Adriano Dias é fundador da ComCausa

 

| Publicado originalmente no jornal de Hoje, nas bancas da Baixada desta terça, dia 31 de outubro de 2017.

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