Primeiro vamos esterilizar as favelas... depois a Baixada

05.12.2017

Há exatamente dez anos atrás, no dia 05 de dezembro de 2007, publicamos um artigo de opinião de um grande jornal do Rio sobre a política pública proposta pelo então governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho, para redução da violência: a esterilização em massa de mulheres nas favelas, pois – segundo o Sr Sérgio Cabral -, o ventre destas mulheres eram fábrica de marginais.

 

  

Passaram-se uma década e a onda nazifascista que preconiza o extermínio de seres humanos de menor valor somente ganhou maus adeptos, principalmente atrás da falsa cortina de fumaça das redes sociais que da conformo aos indivíduos invisíveis – ávidos de qualquer notoriedade – promoverem discursos e frases prontas com finalidade da atenção através da polêmica. Sem medir as consequências que a promoção deste apartheid pode se converter em munição para atingir pessoas ligada a eles mesmos, quando não, aos próprios promotores dos ódios.

 

Paralelo às novas ondas, há três décadas que a política de segurança pública reforça que o aniquilamento da população pobre deve continuar. Se as mulheres das favelas – e demais periferias sócias do Rio de Janeiro -, não conseguem uma orientação para o planejamento familiar e não de controle da natalidade é porque não chegou até lá uma política pública adequada, tanto de educação, como de saúde reprodutiva. De fato, deve ser facultada às mulheres a decisão de interrupção de gravidez, por ser concernente a uma democracia autêntica, laica e de respeito à liberdade individual, não pelas razões apresentadas pelo governador. Mas, este tipo de prevenção parece custar muito aos cofres públicos para uma população que parece valer tão pouco na lógica da política à qual os cidadãos fluminenses estão entregues... faz tempo.

 

​Além destes, na época escrevi que “é bem provável que a próxima política pública com fins de garantir a segurança da população seja a criação de muros com guaritas de identificação no acesso das favelas”. Assim, acho que vou abrir uma tendinha de adivinhação, pois logo após foram erguidos os muros nas principais vias do Rio que margeiam, em todos os sentidos, as favelas da cidade do Rio.

 

Escrito em uma madrugada de 2007, na fase pré UPPs, uma coisa não prevista é que se Sergio Cabral retomasse o poder hoje, com sua política de esterilização das “mulheres pobres que geram bandidos,” estariam, com certeza, também incluídas as da Baixada Fluminense. Assim, o título original foi uma clarividência.

 

Publicado com o provocador título de “Leia Governador” (por iniciativa do jornal), e tendo como chamada principal a frase "Há muito nas ciências sociais não se associa a violência à pobreza", neste artigo (o único que consegui publicar no setor de opinião do jornalão), abri mão da autoria. Neste ponto os búzios, runas, entre outros, não previram a vergonha de te-lô feito considerando que a dita cientista social e mestre em política social que atribui a autoria. Hoje, faz parte de um grupo que é comparado na imprensa nacional ao PCC e o Comando Vermelho pelo nível de pilhagem do dinheiro público que a quadrilha se dedicou nos ultimo oito anos. Além de desenvolver seu patrimônio na terra fértil de “gente burra e preguiçosa” - como a mesma afirmou em 2009 -, sobre o desvio de programas sociais dedicados prioritariamente à mulheres, como o ‘Bolsa Família’ e o ‘Minha Casa Minha Vida’.

 

A hipocrisia mora ao lado da covardia alicerçada pela falta de escrúpulo. Por conta disso, entre outras, a prisão de Benfica está cheia e vai ter mais gente em breve.

 

- Adriano Dias é fundador da #ComCausa

 

| Originalmente publicado no Jornal de Hoje no dia 05 de dezembro de 2017.

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