A importância da pesquisa social

09.05.2017

Se você chegou a seu lar exausto após ter enfrentado o caos do transporte público, com trens lotados e engarrafamentos? Já se sentiu incomodado com a lama, falta de asfalto, sujeira nas ruas e bueiros entupidos e com o mau cheiro do rio que fica próximo à sua residência? Ficou ofendido com o cerceamento do seu direito de ir e vir por causa da instabilidade da segurança pública e não acredita que existam outros caminhos além do voto para que este panorama seja alterado? Então, provavelmente, no interior de sua insatisfação, você já se sentiu desamparado, mudo diante de um microfone, invisível socialmente?

 

A redução desta invisibilidade social, em que as pessoas dos municípios da Baixada estão historicamente inseridos e não dependente apenas do poder público e movimentos da sociedade civil. Com a utilização da pesquisa social como instrumento de diagnóstico é ponto de partida para a formulação de políticas públicas mais eficientes, facilita para agir de acordo com o as necessidades da população.

 

Entretanto, sem o interesse variável do poder público local e sem a contribuição das pessoas nos bairros, as dúvidas e os anseios da população ficam restritas à visibilidade somente através do flagelo das chacinas e convulsões sociais.

 

Em diversos momentos esbarramos na falta de informações e diagnósticos. Ficamos a mercê da percepção das dinâmicas sociais, principalmente nas violações. A questão talvez seja pensar a pesquisa como modo de participação que não começa de cima para baixo, mas que se dá a partir da pré-disposição de pessoas que queiram fazer parte de um processo de modo concreto, mas que é construído aos poucos a partir da coleta de pontos de vista e necessidades coletivas. Assim, as pessoas atentas ao que acontece ao seu redor e que sabem as necessidades de ação, por menor que seja, são importantes neste processo de formação de uma counidade melhor. Com certeza escutar esta população, e agir conforme a prioridade destas, fará toda a diferença no processo de mudanças.

 

Portanto, cabe maior importância do poder público na pesquisa social a fim de que este deixe de ser reativo, e sem a necessidade de grandes mobilizações, atuem com maior precisão e sem as pressões políticas que muitas vezes invertem as prioridades de intervenção. Por outro lado, a população deve dar valor a estas pesquisas, e quando receber a visita de um pesquisador, devidamente credenciado e com referências da instituição onde ele trabalha, mude sua rotina e dedique um tempo para transmitir o seu recado. Afinal o que são 20 ou 30 minutos de entrevista comparados a décadas de abandono?

 

#Adriano Dias

 

Fundador da ONG ComCausa - Cultura de Direitos, ex subsecretário municipal de Prevenção da Violência de Nova Iguaçu.

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