A sociedade do espetáculo da tragédia

21.05.2017

Depois de um período em que a polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro protagonizou tragédias em episódios de vítimas de balas perdidas, e até mesmo execução, na região do Morro da Formiga, Fazenda Botafogo, Pedreira e Acari. Em meio ao debate acalorado daqueles que defendem as execuções sumárias dos agentes do Estado e que a morte da Maria Eduarda de 13 anos, dentro do Colégio Daniel Piza, seria um efeito colateral aceitável para “acabar” com os bandidos. Ao final da caminhada dos doze anos da chacina da Baixada - a maior da historio do Rio, promovida por policiais militares em 2005 -, gravamos um vídeo colocando que “a violência nunca foi a solução da violência” no Rio e em nenhum lugar do mundo.

 

Claro, evidente e lógico – para ser bastante redundante – a chuva de questionamentos, ataques e acusações de defender bandidos encheram nossos canais eletrônicos e ouvidos. A sociedade te acusa e condena, como os que mataram os jovens - ao menos sete corpos fora encontrados numa área de mata próxima a favela - depois que o helicóptero do Grupamento Aeromóvel da Polícia Militar (GAM) caiu próximo à comunidade Cidade de Deus.

 

Em ambos os casos - entre tantos outros que tristemente mancham de sangue as páginas de nossa história dia a dia -, tiveram grande repercussão e até programas especiais em rede nacional. Além de falas acaloradas das pessoas, pró e contra, direito humanos (na verdade mais contra, e tome “paulada na moleira” por casos que só acompanhamos pela mídia).

 

Entretanto, quando uma menina autista de três anos foi resgatada pelos policiais do 20º BPM (Mesquita) em Nova Iguaçu, após ter sido levada junto com o carro roubado de seu pai. Em situação semelhante, quando, após cerco policial, o cabo Vasconcelos e o subtenente Natan (do 14º BPM – Bangú) encontram os bandidos que levaram o carro com Enzo de quatro anos, optaram por não revidar os tiros dos bandidos a fim de preservar a vida da criança, devolvendo-o salvo para sua mãe, não houve clamor sobre os casos, nem debates, nem grande destaque para os policiais militares envolvidos.

 

O que fica evidente é que infelizmente a sociedade consome e promove a violência. Se houvesse uma tragédia como a de João Helio (menino arrastado pelas ruas em 2007, no subúrbio do Rio) ou João Pedro (criança baleada por policiais militares dentro do carro na Zona Norte do Rio, em 2008) haveria um raivoso debate sobre direitos humanos. Por outro, é a prova que as polícias podem atua de forma respeitosa e consequente, sendo protagonistas de histórias de coragem com finais felizes. Que seus integrantes devem ter a admiração da população e das corporações que pertencem.  Além de sentir o orgulho cumprir o dever, mas preservando o bem maior, a vida.

 

#AdrianoDias

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