Assassinato sem morte

16.05.2017

 

 Me vi diante de uma nova forma de violência em 2012 - nova em entendimento -, a tentativa de afastamento do filho como forma de extorsão e vingança. Depois de tantos anos na militância pelos direitos humanos, de criar uma instituição que defendia uma cultura de direitos para toda a sociedade, a ComCausa. Uma violação tão secular me era desconhecida? E como um filho, o maior presente que uma pessoa pode receber na vida, pode ser transformado em uma arma de provocar dor ao outro de maneira tão covarde por um dos genitores?

 

Nesta época conheci outros tantos pais, primeiro de dezenas, que se tornaram centenas e depois milhares por todo o Brasil, e hoje até pelo mundo, que eram submetidos diariamente a pratica da tortura. Não aquela que conhecia dos movimentos de direitos humanos, dos porões da ditadura, até as delegacias e presídios de hoje. Mas do abuso psicológico que crianças são submetidas pelos próprios pais.

 

Conheci a existência do homicídio sem morte, do luto pelo filho vivo. Acreditava que já tinha presenciado a pura perversidade pelas situações que conheci - e algumas que acompanhei -, na Baixada Fluminense.

 

Assim organizamos o Grupo Igualdade, um movimento informal que tinha como finalidade promover o apoio mútuo das pessoas que estavam sendo vítimas desta violência, além de ampliar o debate sobre alienação parental e se juntar – por época de sua criação – com aquele que por anos estavam na luta pela aprovação da Lei da Guarda Compartilhada, que foi sancionada no final de 2014.

 

Posteriormente tomamos a decisão que de que a alienação parental – e todos os temas que a envolvem – devem ser objeto de atenção institucional da ComCausa. Resultando em uma série de atividades, Audiências Públicas, seminários, propostas de projetos de lei e emendas. E agora teremos mais dois instrumentos importantes, o núcleo de ‘Orientação para vítimas de alienação parental’ do CRDH da ComCausa e o portal “alienação parental” (comcausa.net/alienaçãoparental)

 

O Grupo Igualdade continua como na proposta de sua criação, um ombro amigo, o conselho fraterno, o apoio de quem sabe a dor de ver outra pessoa tentar te assassinar para um filho ou filha. Mas agora com a ComCausa como promotora de defensora do direito básico de crianças terem uma infância sadia, convivendo com pais e mães, entre outros parentes, de forma igualitária.

 

#Adriano Dias

Compartilhe no Facebook
Compartilhe no Twitter
Please reload

Últimas notícias

Please reload

Please reload