Entrevista com Adriano Ibiapino da banda 'Unhas Incravadas'

17.01.2019

Formada em julho de 2002 por Adriano (vocal), Carlos (guitarra), Thiago (bateria) e Fábio (baixo), o Unhas Incravadas (a grafia é essa mesmo com “I”) surgiu para tocar músicas inspiradas em bandas como Garotos Podres, Ratos de Porão e do punk vindo de fora do Brasil. Ao longo desses sete anos de história a banda fez apresentações nos mais variados locais e conquistou um público fiel no meio do rock alternativo devido suas músicas autorais bem-humoradas e ao mesmo tempo realistas e conscientes das dificuldades do mundo atual, o que fez seu nome virar algo próximo do “cult”.

 

Depois da saída de Fábio e a entrada de Wellington a banda se apresentou no evento Rock ComCausa para um público de cerca de 500 pessoas na celebração dos 60 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Recebemos o vocalista Adriano Ibiapina para um bate-papo descontraído onde ele me falou um pouco das inúmeras histórias da banda.

 

| Igor Fernandez

 

De onde veio o nome Unhas Incravadas?

Adriano Ibiapina: (Risos) O nome é a coisa mais retardada que tem. Minha mãe vivia reclamando de uma unha encravada no pé e quando fomos imaginar o nome eu sugeri “coloca unha encravada” e daí eu vi que todo mundo começou a rir e achou o nome horrível. Vi que tinha que ser esse o nome e resolvemos também brincar com a grafia de botar com “I” e não o correto pra mostrar que a idéia era brincar desde o início com fato que há algo errado e não está muito certo.

 

Por que a ideia de montar uma banda de rock?

- Para tocar músicas que iam desde o punk rock até coisas do cotidiano, falamos de coisas que aconteceram com a gente, coisas que conhecemos bem, falamos da realidade.

 

Essa era mesmo uma pergunta que eu iria fazer, pois ouvindo as letras de músicas suas como “Playboy da Honda Biz”, “Danton conheceu o Tarantino” e “Oldcar” só para citar algumas, percebemos que há ali uma crítica social e uma boa dose de realidade. Era mesmo essa a ideia, criticar transmitir a mensagem que querem atrás de letras bem-humoradas e satíricas?

- A ideia é essa mesmo, de que o humor afeta mais as pessoas, pois primeiro elas irão rir e depois pensar naquilo que ouviram. Além disso, fazemos um discurso diferente e isso não é bem visto. Não somos muito bons em fazer um discurso sério, somos mais de brincar e ai colocar nossas ideias. Na realidade a gente acaba brincando com o que não achamos certo. Pode parecer simplista, mas é espontâneo, irreverente e é o que somos. São reações que conseguimos colocar para fora de imediato.

 

Como você vê o espaço na mídia para artistas independentes e que não fazem uma arte convencional para o mercado?

Quando surgimos, a maioria das pessoas chegava pra gente e dizia “se vocês fizessem um som assim, vocês iam chegar a tal lugar…” e a gente achou que essas pessoas estavam querendo apenas que vendêssemos um som, que montássemos a banda com o objetivo de fazer sucesso. Não existe isso, você tem que tocar o que quer e o que gosta. Não há espaço na grande mídia para artistas independentes e isso acaba levando muito artista para a idéia de que se não tocar ou fizer o que vai agradar ao público não irá conseguir nada. Algumas bandas acabam cedendo a essa pressão para fazer sucesso, pois tocam durante anos e não conseguem destaque e de repente fazem uma música do tipo: “ó Janaína me dá um beijinho” e pronto: fazem sucesso.

 

Vocês chegarama a tocar na Hillo`s rock...

- É. Tem aquela relação com o Adriano Dias que na época era um dos organizadores e depois veio a fundar a ComCausa. Aliás, vou contar um segredo dele que ninguém sabe: ele odeia quando o chamam de Tony Ramos (risos). Inclusive a gente está querendo homenageá-lo com uma música “Tony Ramos da Baixada” (risos).

 

Como estão os espaços para tocar?

Há uma certa escassez de espaços que aceitem bandas novas e que toquem músicas próprias, principalmente sátiras. Normalmente as bandas novas pagam para tocar, carregam os instrumentos e amplificadores nas costas e depois do show carregam tudo de volta, além de tocar em instrumentos ruins e locais vazios.

 

Que experiência vocês tiraram do Rock ComCausa? (Evento realizado em dezembro de 2008, com a presença de sete bandas de rock que entre uma música e outra liam trechos da Declaração Universal dos Direitos Humanos)

- Vimos que há pessoas na Baixada que querem fazer algo e participar disso mostrando aos outros que é possível desde que se queira. Foi muito bom, pois através do rock mostramos, nós e as outras bandas, que há cultura nas mais diferentes formas e a música é uma delas. Assim fica mais fácil de chegar nas pessoas e conscientizá-las, já que a partir da música a pessoa pode ir atrás daquilo que estava sendo falado e acaba encontrando um mundo novo e conhecendo ideias novas.

 

Uma mensagem para quem estiver lendo e para a ComCausa…

- Continuem lendo, pois esse é o caminho. Façam o que gostam. Se curtirem música, peguem um instrumento e toquem, faça o som de vocês, não importa qual. Já uma mensagem para a ComCausa... só digo que os admiro pois o trabalho de conscientizar mentes é uma tarefa que deve ser muito árdua. Então espero que a ComCausa durem muitas décadas, pois vocês acabam dando forças a pessoas que não tem formas de divulgar o trabalho, como é o caso da minha banda, e porque a ComCausa traz um novo olhar para a Baixada Fluminense: um olhar de incentivo que mostra que na Baixada existem muitas coisas boas, não só as notícias ruins exibidas na mídia.

 

O que vocês têm planejado para o resto do ano (em 2009)?

Somos uma banda meio preguiçosa, temos preguiça de ir ao estúdio e de pegar as notas e tudo mais. Mas planos para o fim do ano? Vamos tocar no segundo Rock ComCausa (risos).

 

Um chute nas partes baixas dos modismos...

 

#ComCausa | Agosto 2009

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