Hanry Silva Gomes

20.11.2018

Hanry Silva Gomes da Siqueiraera estudante e havia recém chegado de Minas Gerais para morar com sua mãe, Márcia de Oliveira Silva Jacintho, no morro da Nossa Senhora da Guia, conhecido como morro do Gambá, no bairro do Lins, Zona Norte do Rio de Janeiro. Tinha 16 anos quando foi assassinado quando voltava para casa no dia 21 de novembro de 2002. Ele foi abordado por policiais do 23ª Delegacia de Polícia e do 3º Batalhão de Polícia Militar o seguiram pelo mato e o mataram com um tiro no coração, à queima-roupa. Como costuma acontecer em casos de execução cometida por policiais, foi divulgado que o rapaz era traficante e que havia sido morto em troca de tiros. Segundo a polícia, ele estava com uma pistola e drogas e teria reagido à entrada de policiais no local.

 

 

Testemunhas do caso afirmam que Hanry Silva foi abordado pelos policiais e conduzido até a viatura onde já havia outro homem preso. Os policiais teriam simulado a saída da favela, mas na verdade deram a volta no morro e foram até o cume onde os rapazes foram assassinados. Comenta-se na vizinhança que os policiais envolvidos já haviam participado de outros assassinatos na região.

 

A mãe de Hanry registrou queixa de homicídio na 25ª DP, onde foi aberto o Inquérito Policial número 5332. Sem entender de procedimentos policiais e com medo de ir à delegacia, ela colocou em prática o que via em filmes: com a máquina fotográfica e ajuda de testemunhas, fotografou o rastro de sangue do corpo do filho. Mais tarde comprou um gravador e, ouvindo um vizinho aqui, um amigo do filho ali, encontrou testemunhas do crime. Entre elas, um rapaz que viu os policiais roubarem um lençol do varal vizinho e entrar no mato, e um menino que os PMs mandaram correr momentos antes do crime.

 

“Foi difícil. O Ministério Público mandava a delegacia investigar e, como eles não faziam nada, eu fazia as diligências sozinha”, diz Márcia de Oliveira Silva Jacintho. As testemunhas foram ouvidas pelo próprio Ministério Público. Foram citados onze suspeitos, mas apenas o cabo Marcos Alves da Silva e o 3º. tenente Paulo Roberto Paschuini foram denunciados pelo Ministério Público, cinco anos depois, em novembro de 2006, e pronunciados em setembro de 2007, sob acusação de homicídio doloso e fraude processual. À época do crime, os réus eram, respectivamente, soldado e cabo, mas desde então foram promovidos pela Polícia Militar do Rio de Janeiro.

 

Após uma verdadeira batalha e uma longa peregrinação em busca de provas, Márcia Jacintho, dilacerada pela dor e indignada com a opressão e a injustiça, conseguiu marcar duas importantes vitórias contra a violência policial nas favelas e bairros populares da cidade do Rio de Janeiro: provou que o filho não tinha envolvimento com o tráfico de drogas e, no dia 2 de setembro de 2008, quase seis anos após o crime, o policial Paulo Roberto Paschuini, que confessou ter sido o autor do disparo, foi condenado a nove anos de prisão. O outro réu do caso, Marcos Alves da Silva, foi condenado a três anos de prisão, acusado de ter forjado provas para “justificar” a ação policial.

 

No dia 20 de março de 2012 a ComCausa esteve no Fórum do Rio, no julgamento do ex PM Paulo Roberto Paschuini, e gravou um depoimento de Márcia Jacintho.

 

 

 

O ex policial Paschuini foi condenado a três anos e dois meses pelo crime de fraude processual, e Silva teve pena de nove anos de prisão por homicídio e fraude processual. Silva já estava preso por assalto à mão armada, num processo em que foi condenado em 1998. "Era para ele estar preso no dia que matou meu filho", afirma a mãe de Hanry. Paschuini responde a um outro processo por tentativa de homicídio.

 

Na sentença, o juiz Sidney Rosa chamou o crime de “execrável", que "acabou por atingir a honra de um adolescente, pois que, a vontade era direcionada para que a vítima, um adolescente sem mácula, pudesse passar por um traficante criminoso".

 

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