Intervenção ineficaz e cara

28.02.2018

Após a massiva propaganda do Carnaval violento do Rio, onde se potencializou as ameaças para oferecer proteção criou o caldo de cultura para as pessoas de BENS pedirem proteção. A ressaca de quarta-feira de cinzas foi com o anúncio da solução da crise Carioca com uma fórmula testada em sua comprovada ineficácia.

 

Somam-se as dificuldades financeiras do Estado que sucatearam os aparatos de segurança, precarizou como nunca a Polícia Civil e Polícia Militar. Inclusive, alugando estas para iniciativa privada em um processo de terceirizada de atribuições e responsabilidades. Paralelo, com ajuda de um Judiciário punitivo, superlotando presídios. A solução vem de cima para baixo pelo governo federal como forma de intervenção militar da segurança pública do Rio sem planejamento prévio.

 

 

Nesta conjuntura, ente outros meandros políticos, temos o palco de guerra propício para essa interferência inocula. Considerando que as Forças Armadas já foram colocadas nas ruas do Rio por diversas vezes, foram cerca de seis GLOs (Operações de Garantia da Lei e da Ordem), e sabemos da ineficiência de um blindado no Aterro do Flamengo, com soldados carregando 12 quilos de equipamento, diante de um roubo de bicicleta. Da mesma forma quando os tanques de guerra que entram nas comunidades e tendem a passa por cima de tudo, derrubando muros e amassando carros - na maioria antigos e sem seguro, mas comprados com o suor dos menores salários -, somente potencializa a adesão da simpatia ao “inimigo” e ódio ao “Estado invasor”.

 

Temos que questionar também a eficiência de soldados atuando em incursão no ‘campo de batalha’ composto por vielas que às vezes não tem um metro e meio de largura. Não enxergam o “inimigo” nem em campo de visão, nem em caracterização, aliás, muito parecido com ele: jovem, pobre e negro se arriscando, matando e morrendo por alguns trocados. Além desses, os soldados das forças armadas não tem pleno mandato policial e tendem a esperar uma ordem de comando. No “morro ou no asfalto”, passando pelas periferias sociais, o potencial de tragédias de ambos os lados, o “efeito colateral” em baixas civis e militares, propicia um campo enorme para novas tragédias.

 

Diante de todos estes desafios as Forças Armadas exigiram suas garantias: todas as violações e equívocos vão para a Justiça Militar sem nova “comissão da verdade” como disse o general interventor. Além do mandado coletivo de busca e apreensão que propicia todo tipo de abudo.

 

Além do possível custo em vidas, a sequencia do Carnaval militar com carros alegóricos, com seus participantes fantasias e seus adereços sai caro também em recursos financeiros. Somente na Maré foram gastos cerca 350 milhões de reais, somemos as recentes operações na Rocinha e no Salgueiro. Façamos agora a conversão destes em investimentos para as polícias estaduais, principalmente em novas tecnologias, equipamentos e valorização dos trabalhadores da área de segurança. Priorizando ações de inteligências e desmontes das quadrilhas, dentro e fora do poder público.

 

Até as pedras sabem que usar as forças armadas é pouco eficaz e cara. Talvez a população que apoiem esta teatralidade somente tenha noção quando tiverem suas casas invadidas para chegar à do vizinho que fuma maconha. Ou quando no estalar o tapa na cara do agente do estado que quer oprimir pela opressão. Ou pior, o tiro na cabeça não seja levado à justiça devido aos mecanismos de proteção dos interventores.
 

- Adriano Dias é fundador da ComCausa.

 

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