Os municípios devem inverter o espiral das violações

12.06.2017

Lamentável que o projeto das festejadas Unidades de Polícia Pacificadoras – UPPs - tenha se desvirtuado e está praticamente falido. Ruim para os policiais que continuam - praticamente sozinhos - mantendo uma política que já se demonstrou ineficaz em sua condução. Triste para os moradores das favelas, os da Baixada, entre outras periferias sociais do Rio de Janeiro, que sofrem desta política equivocada no formato de sua aplicação. A paz sem voz das UPPs fez com que acordos fossem refeitos e novos territórios ocupados, por segurança do patrimônio bélico e dos insumos do negócio da droga. Irresponsavelmente acabou promovendo o fortalecimento dos interesses de grupos criminosos pela Região Metropolitana e interior do Rio de Janeiro. 

 

Agora, diante das anunciadas dificuldades orçamentárias do Governo do Estado, a recorrência das tragédias pode aumentar em número, de situações e lugares. A socialização territorial do armamento pesado das quadrilhas já mudou a rotina de várias cidades da Baixada. Então vamos chamar a polícia? Mas se não tiver combustível para a viatura, ela não vem. Quando chega, o salário atrasado e o triênio suspenso, somados as falhas das Taurus 840 com o colete vencido, somente joga no palco das operações de guerra, atores de uma história que nunca acaba bem, com vítimas por todos os lados.

 

Antes de apontarmos culpados em discursos denuncistas, e nos posicionamos como inevitavelmente vítimas. Deveríamos nos empenhar em reverter o quadro de baixo para cima com experiências municipais viáveis. Identificar em cada local a dinâmica que propicia as violações, a prática do crime e estabelecer a estratégia de desmonte, não de enfrentamento, mas apresentando alternativas atraentes. Investir em políticas preventivas que dispute os territórios e – seus moradores, principalmente os mais jovens – com as origens das violências, sejam elas quais forem, não é nenhuma ideia ou conceito novo. 

 

Se fizermos, poderemos frear o avanço das violências, desmontar gradualmente seus mecanismos e daqui a uns oito anos avaliar os números de vidas salvas. 

 

Se não fizermos, teremos em breve bairros - e até regiões inteiras da Baixada - controladas pelo medo e tão estigmatizadas como os chamados “complexos” da cidade do Rio.

 

Cabe a sociedade e aos novos gestores públicos municipais pactuarem para desfazer ou inverte o espiral de violações com políticas responsáveis de redução das violências.

 

#AdrianoDias
 

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