Somos Baixada Fluminense

29.04.2017

A Baixada Fluminense tem uma identidade própria comum? Para além das complicações dos limites geográficos de uma região com treze municípios, as pessoas têm consciência disso e se relacionam enquanto iguais de um território? Particularmente acredito que sim, apesar de sermos unificados sempre pelas questões negativas, como “mais um morto na Baixada”, estampado nas capas dos jornais, nunca vemos “Patrimônio Ambiental da Humanidade fica na Baixada” (REBIO Tinguá, “Importante universidade federal da Baixada amplia seus campus” (UFRRJ-Rural); “principal iniciativas de reggae e rock independente do Estado do Rio são da Baixada (…) além de ser celeiro de inúmeros movimentos sociocultuais”, por ai vai.

 

O Dia da Baixada Fluminense já havia sido comemorado desde 2000 por iniciativa do Fórum Cultural da Baixada, tendo como um dos principais incentivadores o professor Paulo Mainhard, da UERJ – Duque de Caxias, entre outros importantes atores da nossa região.  Sendo que em 2002, no dia 02 de maio, o governo do Estado do Rio de Janeiro sancionou a Lei nº 3822/02, que não apenas instituiu oficialmente o Dia da Baixada, como determinou que seja ele “comemorado obrigatoriamente em todas as escolas da rede estadual de ensino público e em todas as repartições públicas estaduais localizadas na região”.

 

 

A data de 30 de abril foi escolhida como Dia da Baixada Fluminense por ter sido neste dia, em 1854, inaugurada a Estrada de Ferro construída no Brasil, que ligava o porto de Mauá (Estação Guia de Pacobaíba) à região de Fragoso, no pé da Serra de Petrópolis. A partir daí, foram construídas outras ferrovias na região e a estrada de Ferro tornou-se um marco histórico da ocupação urbana da Baixada Fluminense, dando novo perfil à ocupação de solo. Foi o começo do fim dos portos fluviais, da navegação pelos rios, dos caminhos de tropeiros e o início do processo de surgimento de vilas e povoados que se organizaram em torno das estações ferroviárias, origem das atuais cidades da Baixada.

 

Assim, a finalidade do “Dia da Baixada Fluminense” é estimular o desenvolvimento da autoestima da população da região, reconhecer suas virtudes, patrimônios culturais, sociais e ambientais. Mas também lançar um olhar crítico sobre as responsabilidades dos poderes públicos na garantia dos direitos dos moradores da região, que hoje, tem mais de três milhões e meio de habitantes.

 

Além desses, é importante incluir a discussão da cidadania e desenvolvimento da Baixada Fluminense sempre que a data for lembrada, juntamente com a cidade do Rio de Janeiro. Políticas públicas, como na área de segurança, aplicadas na capital do Estado tem influenciado diretamente a região da Baixada. Assim, como não há como discutir a cidade do Rio de Janeiro sem pensar na Região Metropolitana, não há como planejar a Baixada Fluminense sem considerar a cidade do Rio.

 

Dos dezesseis milhões de moradores do Estado do Rio, seis milhões moram da cidade do Rio e quase quatro milhões moram na Baixada, há de se harmonizar as agendas, caso contrário, somente ampliaremos os abismos sociais existentes.

 

Finalizando, gostaria de fazer homenagem ao professor Paulo Mainhard, que mesmo não sendo desta região, dedicou vários anos de sua vida a à Baixada Fluminense, seja na UERJ de Duque de Caxias, seja nos movimentos sociais como o Fórum Cultural da Baixada.

 

Parece não ser coincidência que ele nos deixou na semana do dia da Baixada de 2016.

 

Assim, obrigado professor Paulo Mainhard, por tudo. Contarei sobre você para meu filho.

 

| Adriano Dias

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